A sexualidade envolve tabus e paradigmas construídos e desenvolvidos de acordo com as características e mudanças da sociedade.
A educação sexual feminina passou por diversas fases, incorporando em si a representatividade de instituições dominantes de cada época. Na instauração de um sistema patriarcal e de supremacia da igreja, a visão sobre a sexualidade da mulher passou a ter modificações.
Sobre isso, seguem algumas exemplificações do papel da mulher, sexualidade, casamento e amor em períodos passados:
A mulher no século XVI habitava num papel de submissão ao marido numa estruturação de deveres (três) que embasavam o casamento e a relação com o esposo. Ainda que numa descrição sobre princesas e senhoras, esses ensinamentos serviam para todas as mulheres da época. A submissão ao marido envolvia lealdade, obediência, humildade e solicitude em tudo que fosse do interesse dele. Além disso, a mulher na ausência do marido devia vestir-se com cuidado ao corpo e, principalmente, adequando seus sentimentos e emoções. No retorno do esposo ausente, a mulher ainda que sem afetividade, deveria demonstrar publicamente o seu amor, mesmo que este não fosse merecedor de tal relação.
As servidoras das senhoras da época não poderiam compactuar com "desonras" praticadas, porém, poderiam salvá-las de tal, assumindo a vergonha e o castigo que caberiam. Neste desenrolar, o "amor cortês" surge numa perspectiva de castidade e monogamia - apesar das considerações sobre o amor ser algo da alma e contudo numa relação extraconjugal - num enlace material. Aparece então a divisão entre o amor - atração física e sentimental - e casamento - castidade e submissão.
Já no envolvimento da igreja e do patriarcado, a sexualidade feminina é sustentada como a ausência de prazer numa lógica de procriação. A incorporação da mulher no mercado de trabalho - Revolução Industrial - a insere num contexto que possibilita novas buscas sobre a sua sexualidade; porém, a independência debatida na época surge com extremos questionamentos devido a incoerência de oportunidades parte das vivências culturalmente possíveis para a mulher.
Essa incoerência é vivenciada atualmente com questionamentos semelhantes e num disfarce severo. Ainda com as considerações acerca dos avanços e pontos positivos conquistados atualmente, as mulheres vivenciam limitações em todo o contexto social. A sexualidade feminina, pauta das lutas dos movimentos sociais, surge no cotidiano com as mesmas características veladas à respeito da monogamia, casamento, prazer e reprodução. Essas incoerências carregam expectativas, cobranças e regras gerais que padronizam o que tentam definir o SER MULHER.
Na Clínica de psicologia o tema surge com todo o arcabouço supracitado e com crenças específicas acerca da sexualidade feminina: crenças embasadas pela religião, cultura familiar conservadora e padronizações da sociedade de modo geral. Todo esse desenvolvimento acerca da sexualidade sustenta comportamentos e sentimentos disfuncionais (baixa autoestima, insatisfação com o corpo, desmotivação, invalidação emocional), disfunções sexuais específicas e anulam o pensamento sobre o direito ao prazer na relação, além de submeter o feminino numa representação de sujeição.
Para a efetividade da Terapia Cognitivo-Comportamental e Sexual com mulheres, é necessário que ocorra a contextualização das vivencias da cliente, de modo que construa novos valores e crenças acerca da sexualidade feminina e a prepare para o processo de reconhecimento de si!
Esse reconhecimento depende, essencialmente, do engajamento na terapia e da compreensão e valorização das suas alterações emocionais num viés de individualidade. A educação sexual restritiva, relações conflituosas na família e o embasamento da prática sexual em preceitos religiosos e morais, limitam as vivências e delimita a visão sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Dentro de uma sociedade que modela o comportamento sexual, a busca pela libertação e pelo autoconhecimento, estruturam novas vivências e práticas sexuais, que estão diretamente ligadas ao modo como a mulher sente, vê e trata-se.
O reconhecimento, a validação e a atenção numa perspectiva de individualidade, colabora na qualidade emocional, mental e também sexual.
A abordagem sociológica da sexualidade feminina trás em si a importância da compreensão de mecanismos de reprodução e execução automática daquilo que é extremamente relevante e que faz parte da vida de todos.
A terapia em seu processo de autoconhecimento transforma, modela e reconstrói os comportamentos sexuais disfuncionais específicos e o papel da mulher para si e para o mundo.
Reconheça suas emoções, valide as e torne-se a sua Mulher!
Entre atendimentos de Psicologia, textos e mergulhos a respeito de temas da coletividade que constroem a individualidade de cada um.
CRP 08/25347
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
sábado, 23 de setembro de 2017
No fim das contas tudo é sobre nos perder e nos desembaraçar juntos.
O cotidiano e a rotina exigem adequações dos comportamentos e estados emocionais. Mas essas adequações são implantadas num construto de valores e crenças que são executadas automaticamente no desenrolar dos anos numa perspectiva extremista, onde inadaptações ou alterações consideradas superiores à alguma norma passam a ser pré-definidas e julgadas.
Em situações de estresse ou de uma alteração emocional severa e pontual envolvida num evento traumático ou que afete dificuldades pessoais, muitas vezes, os comportamentos acompanham essas alterações.
As pessoas ao redor praticam aquilo que a sociedade, grupo e comunidade exigem: elas julgam e realizam afirmativas de acordo com essas alterações pontuais. Alguns escritos contemporâneos defendem e estruturam ideias a respeito da intolerância e o descontentamento gerado por tal. As pessoas vivem de acordo com exigências externas, que vão além do respeito as leis e regulamentações gerais mas embasam vivências relevantes em seu contexto que somam as dificuldades nos momentos difíceis.
No filme Nise - O Coração da Loucura a ideia principal que norteia o enredo trata-se justamente do trabalho a ser realizado com a despadronização e com a tolerância social. O filme fala sobre temas específicos mas a ideia pode ser ampliada para temas gerais, como a cobrança pelo comportamento e emoção "adequadas" em momentos de dificuldade individual.
É uma reflexão bastante complexa e está diretamente ligada à alterações sociais existentes nos últimos anos e o manejo e empatia ao relacionar-se com o outro.
Todas as emoções são relevantes, cada uma com papel de construção no desenvolvimento humano e, portanto, vivê-las é o grande desafio. Para que esse desafio torne-se um processo de aprendizagem para todos seja mais tolerante consigo, com o outro e trabalhe para que as pessoas vejam o que você é com todo o arcabouço que as vivências oportunizam.
As relações, assim como as emoções, são construções transformadoras e dentro de toda a complexidade, positividade e negatividade elas precisam ser sentidas.
O que é ser Psicólogo? O que esperar de um Psicólogo? - A imagem construída sobre a profissão será o tema do próximo texto ;)
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Arte, expressão e Psicologia.
"Que corpo é esse que já não se aguenta?
Que resiste ao limiar
Que desaba sobre si
Músculos e ossos
Poros e narinas
Olhos e joelhos
Que resiste ao limiar
Que desaba sobre si
Músculos e ossos
Poros e narinas
Olhos e joelhos
Seios, costas, cataratas
Suas torres de vigia
Que corpo é esse?
Que pulsa, escuta,
Expulsa, abraça
Comporta, contém
O corpo ocupa!
O corpo não é culpa
O corpo, a culpa, o espaço
Que corpo é esse?
Que protege, reage
Que é origem e passagem
Que corpo é esse que já não se aguenta?
Que se esgota
E não se resgata
Aqui
Por enquanto
É tudo ainda!"
Fernando Anitelli
As expressões surgem numa necessidade de comunicação que media o contexto o qual o sujeito está inserido. As diversas formas de arte - fotografia, música, poesia - surgem como métodos eficazes na expressão das emoções e das vontades quando são indizíveis em diálogos sociais. A organização das palavras, ritmos e ideias colaboram no processo terapêutico de modo que, desde os projetos iniciais de construção, oferecem ao outro a sintonia de quem escreveu. Considerando que interpretações diferem de acordo com as pessoas, ainda assim, a essência se mantem numa ideia central de quem escreve e que passa a ser debatida problematicamente construindo novas possibilidades para quem faz parte deste mundo.
Para a Terapia Cognitivo-Comportamental os pensamentos são continuamente avaliados e direcionam à estrutura de funcionamento de cada um construída ao longo de suas vivências, experiências e aprendizados.
Para o terapeuta quanto mais natural a expressão mais eficaz a terapia, e pauta-se então numa construção de um processo terapêutico real, válido e funcional.
A terapia se assemelha a poesia - assim como a tantas outras coisas - já que envolve descrição da vida. E ainda que em ritmos diferentes e sem rimas, leva o cliente à mundos onde o diálogo resiste e aquilo que é sentido surge num papel de renovação e autoconhecimento.
O que oportuniza novos pensamentos, oportuniza novas possibilidades.
O que oportuniza novos pensamentos, oportuniza novas possibilidades.
Arte é emoção, percepção, atenção e Psicologia.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
O Setembro Amarelo e o Retrocesso na Garantia de Direitos
Em abril de 2017 a BBC publicou uma reportagem sobre o aumento da taxa de suicídio entre os jovens. O país onde esse aumento é mais numeroso é o Brasil, principalmente decorrentes de fatores de sexualidade.
No mês do Setembro Amarelo, a liminar proposta na última semana representa o retrocesso à garantia dos direitos sociais e ao atendimento especializado em Psicologia.
A exclusão social numa estrutura de desigualdade embasa questionamentos destrutivos, problemas e sentimento de invalidação de si, que resultam na busca pelo livramento da dor: o Suicídio.
Quando há ação específica na área que envolve direta ou indiretamente a Garantia de Direitos, é necessário despir-se de pré-conceitos individuais e vestir camisas da coletividade, da compreensão e da aceitação.
Considerando categorias profissionais, porém não só, o grande pensamento emergencial diante do retrocesso pontual que aconteceu nessa ultima semana, é refletir e problematizar à respeito dos inúmeros golpes e fatos que o País tem sofrido.
Relações de poder fundamentam decisões coletivas e contemporâneas e as comunidades, grupos e sociedade de modo geral, numa visão de conservadorismo e medo, pautam ações fatalistas e fecham os olhos para os danos causados por estas!
A estrutura de desigualdade está matando pessoas, até quando essas lutas serão negadas?
Setembro Amarelo, busca por conscientização e o retrocesso social na estruturação do sistema de Garantia de Direitos; todas essas lutas são suas!
No mês do Setembro Amarelo, a liminar proposta na última semana representa o retrocesso à garantia dos direitos sociais e ao atendimento especializado em Psicologia.
A exclusão social numa estrutura de desigualdade embasa questionamentos destrutivos, problemas e sentimento de invalidação de si, que resultam na busca pelo livramento da dor: o Suicídio.
Quando há ação específica na área que envolve direta ou indiretamente a Garantia de Direitos, é necessário despir-se de pré-conceitos individuais e vestir camisas da coletividade, da compreensão e da aceitação.
Considerando categorias profissionais, porém não só, o grande pensamento emergencial diante do retrocesso pontual que aconteceu nessa ultima semana, é refletir e problematizar à respeito dos inúmeros golpes e fatos que o País tem sofrido.
Relações de poder fundamentam decisões coletivas e contemporâneas e as comunidades, grupos e sociedade de modo geral, numa visão de conservadorismo e medo, pautam ações fatalistas e fecham os olhos para os danos causados por estas!
A estrutura de desigualdade está matando pessoas, até quando essas lutas serão negadas?
Setembro Amarelo, busca por conscientização e o retrocesso social na estruturação do sistema de Garantia de Direitos; todas essas lutas são suas!
Um acaso radical
Em para além do bem e do mal, Nietzsche coloca sob a luz uma das justificativas que mediam os pensamentos sobre o suicídio: o consolo em dias maus!
A morte foi considerada por vários filósofos como produto essencial para o desenvolvimento das reflexões filosóficas e sendo, segundo Arthur Schopenhauer, fator determinante nas diferenças entre os seres humanos e os animais, já que nós, nos deparamos com o debate acerca da morte e, consequentemente, com o medo.
Quando tabus são estabelecidos na sociedade, o estado emocional de medo se instaura num espécie de busca pela evitação e fuga. Com uma pitada de busca por segurança, as pessoas passam a emitir comportamentos conservadores, onde a abertura para o diálogo, compreensão e apoio real passam a deixar de existir e então, uma série de eventos surgem como consequência dessa estrutura mantida por todos.
Falar sobre o suicídio envolve a complexidade sobre da morte, da dor emocional, do olhar para as imperfeições e a alteração emocional de angústia diante de pensamentos de impotência e desvalorização.
O suicídio é o tema que carrega em si a maioria dos paradigmas sociais. Historicamente presente na sociedade e produto real do medo, da angústia, da ansiedade, da depressão e de diversas alterações que, com sua relevância, são parte do desenvolvimento humano, porém, que escapam os olhares imediatistas e egoístas da sociedade atual quando surge com demasiado sofrimento e pedido de ajuda.
Boa parte dos suicídios podem ser evitados, e por isso este mês é reservado exclusivamente para falar sobre o tema. Todos podem ser agentes de prevenção!
A morte foi considerada por vários filósofos como produto essencial para o desenvolvimento das reflexões filosóficas e sendo, segundo Arthur Schopenhauer, fator determinante nas diferenças entre os seres humanos e os animais, já que nós, nos deparamos com o debate acerca da morte e, consequentemente, com o medo.
Quando tabus são estabelecidos na sociedade, o estado emocional de medo se instaura num espécie de busca pela evitação e fuga. Com uma pitada de busca por segurança, as pessoas passam a emitir comportamentos conservadores, onde a abertura para o diálogo, compreensão e apoio real passam a deixar de existir e então, uma série de eventos surgem como consequência dessa estrutura mantida por todos.
Falar sobre o suicídio envolve a complexidade sobre da morte, da dor emocional, do olhar para as imperfeições e a alteração emocional de angústia diante de pensamentos de impotência e desvalorização.
O suicídio é o tema que carrega em si a maioria dos paradigmas sociais. Historicamente presente na sociedade e produto real do medo, da angústia, da ansiedade, da depressão e de diversas alterações que, com sua relevância, são parte do desenvolvimento humano, porém, que escapam os olhares imediatistas e egoístas da sociedade atual quando surge com demasiado sofrimento e pedido de ajuda.
Boa parte dos suicídios podem ser evitados, e por isso este mês é reservado exclusivamente para falar sobre o tema. Todos podem ser agentes de prevenção!
Quando os problemas surgem é preciso focar no que a vida realmente significa.
Não hesite em pensar sobre isso!
Procure e indique um atendimento especializado em Psicologia!
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