Imagine-se numa enorme fila do supermercado após um longo dia de trabalho e com um longo trajeto até em casa, ocupando um tempo crucial na incerteza sobre a conclusão do seu objetivo: as compras. Pois bem, algumas pessoas podem identificar, validar e reconhecer a emoção experimentada nesse momento e portanto comportar-se de forma funcional tendo bons resultados e consequências; já outras, por dificuldades nesse processo de educação emocional, podem reprimir (segurar/esconder) essas emoções e emitir comportamentos onde ocorre explosão (ex. agressividade) ou uma inexpressividade emocional.
Os comportamentos, emoções e pensamentos relacionam-se e fazem parte de um esquema aprendido e reproduzido. Por exemplo: a "tal" da inexpressividade emocional pode ter como elemento a emoção medo: medo de falar e ser repreendido, medo de falar e estar errado, medo de falar e ser julgado ... enfim, cada ato que temos está diretamente ligado a forma como sentimos e pensamos.
Mas e se pensamos sobre o que conhecemos, pensamos sobre o que sentimos também, certo?
Certíssimo!
O que pensamos sobre as emoções são as nossas interpretações sobre o que sentimos e isso também é muito importante! Por exemplo: Se achamos que o que sentimos é banal e sem importância, logo podemos concluir que se expressar não vale a pena (pensamento) e se "por acaso"eu falar algo (comportamento) o nosso colega vai achar irrelevante e sem importância: logo teremos a inexpressividade emocional ou uma explosão de emoções que chamamos de DESREGULAÇÃO EMOCIONAL com uma DISTORÇÃO COGNITIVA.
A desregulação emocional, de forma breve e objetiva, é identificada pela INTENSIDADE da emoção sentida e pela adequação entre a sensação e a realidade, ou seja, o fato ocorrido! Se eu sinto ansiedade ao me deparar com uma prova que vou realizar daqui uma hora, a emoção está natural; afinal essa emoção me ajuda a me preparar para a atividade que irei realizar; porém, se a emoção ansiedade é sentida num alto nível ou sem um motivo em que essa emoção tenha funcionalidade - pronto! - Ai sim, é uma desregulação emocional!
Já a distorção cognitiva é a interpretação distorcida sobre a realidade, neste caso, sobre as emoções. Se eu sinto algo e interpreto de forma distorcida, logo a chance de adequação do comportamento com a realidade é minima, não é mesmo?
Enfim, na psicoterapia aprendemos sobre isso tudo e ainda desenvolvemos ferramentas individuais para cada vez mais adaptar de forma funcional comportamentos e pensamentos funcionais e permitir que nossas emoções sejam livres e compreendidas!
Lembrando que essa forma de trabalho é da Psicologia Cognitivo-Comportamental.
Faça terapia! Novos pensamentos geram novas possibilidades!
Psicóloga Julia de Moraes Nogueira
CRP 08/24347
Psicóloga Clínica em São José dos Pinhais.
Psicóloga Julia de Moraes Nogueira
Entre atendimentos de Psicologia, textos e mergulhos a respeito de temas da coletividade que constroem a individualidade de cada um.
CRP 08/25347
sexta-feira, 22 de junho de 2018
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
A Terapia Cognitivo-Comportamental e os Transtornos Alimentares.
Expectativa e frustração são duas
sensações diariamente experimentadas pelos sujeitos, e tratando-se de aspectos corporais numa
representação de si não é diferente. A sociedade estabelece normas e padrões
corporais que impulsionam expectativas e exclui a tolerância com as diferenças.
Com o fortalecimento das lutas e diversos
movimentos sociais que buscam a quebra dos padrões e a tolerância com as
diferenças, a abertura mínima para o assunto tem sido possível.
Além disso, num processo de
desregulação emocional, a busca incessante pelo “corpo perfeito” sustenta uma
defesa num viés rígido de compensação, ou seja, mascara-se para obtenção de
satisfação que é incoerente com a real necessidade e demanda, muitas vezes.
O Psicólogo Clínico atua também em casos
que envolvem demandas relacionadas à alimentação, apesar de todo o estigma da
profissão, os resultados são reais tendo em vista que a atuação
visa justamente o embasamento e o motivo dessa busca que é sustentada pelas
expectativas do outro; e desenrola de forma funcional e
objetiva os motivos e adaptações coerentes com um desenvolvimento pessoal
positivo de aceitação do seu corpo e elevação da autoestima.
Em geral a tendência ao
perfeccionismo e a vontade de enquadrar-se ao desejo do outro sustentam a busca
pela aprovação dentro do padrão corporal, que se agrava quando há o processo de
compulsão ou evitação alimentar, fazendo com que o sujeito navegue em dois
extremos.
Tanto o comportamento de compulsão
como o de redução voluntária do consumo nutricional gera, posteriormente, uma
sensação de culpa e excesso de frustração devido o distanciamento dos
comportamentos do sujeito e do seu objetivo. A Psicologia, neste caso
especificamente a Terapia Cognitivo-Comportamental, através do plano de
tratamento e da elaboração do mapa cognitivo (como veremos adiante no blog),
estrutura intervenções especificas para a superação dessas desadaptações
alimentares. O desenvolvimento de habilidades comportamentais é uma das
ferramentas planejadas na terapia, além do trabalho com a imagem mental que
oferece ao paciente novas possibilidades e pensamentos resultando em
comportamentos fidedignos, redução da ansiedade e modificação de
cognições desadaptadas. A aceitação, o autocuidado e a autoestima relacionam o
sujeito com seu sistema de crenças e pensamentos automáticos que são construídos
ao longo do seu desenvolvimento e, portanto, são reavaliados na terapia para
verificação de sua validade, ou seja, para a verificação do sentido e da
realidade que há em cada crença.
Por exemplo, se sou muito criticada desenvolvo uma provável crença de que sou inferior, e consequentemente
estabeleço um vínculo (neste caso) com as expectativas corporais (padrão de
beleza) e busco de fato esse resultado; porém, devido a desregulação emocional
que vem justamente dessa desvalorização, eu acabo não conseguindo ter
comportamentos que me ajudem a atingir meu objetivo e então passo a me frustrar
e a fortalecer meu esquema de desvalor e desamor, contribuindo então para a
baixa auto-estima e demais fatores. E os pacientes por serem rígidos consigo,
passam a culpar-se por todo comportamento que se desviam, mesmo que minimamente,
do que é almejado e estabelecido por eles.
Portanto o trabalho da terapia
nesses casos é de reestruturação cognitiva, reavaliando as crenças do sujeito e
todas as questões que sustentam sua insegurança e desvalor. Essas modificações
refletem em novos comportamentos, adequação das emoções e melhoria na qualidade
de vida com a aceitação do sujeito sobre si, estabelecendo um vínculo de
valorização e comprometimento consigo.
Elabore novas possibilidades e
desenvolva emoções positivas acerca de si.
Procure um Psicólogo!!
#PsicologiaClínica
#PsiJuliadeMoraesNogueira #Transtornosalimentares
terça-feira, 24 de outubro de 2017
A Psicologia e o Sistema Único de Assistência Social - SUAS.
Durante o desenvolvimento dos meus estágios na área da Psicologia Social, especificamente no Sistema Único de Assistência Social, aprendizados únicos foram proporcionados. Aprendizados enquanto atuação específica do Psicólogo num viés de interpretação e compreensão social, comunitária e familiar; além dos aprendizados sobre os movimentos sociais e lutas necessárias para a garantia dos direitos de todos os usuários e trabalhadores e da Política!
Em uma recente conversa realizada com alunos de Graduação em Psicologia, dúvidas e interesses surgiram à respeito do tema. Afinal, como é o trabalho do Psicólogo no SUAS (Política Pública - Sistema Único de Assistência Social)? E o que é o SUAS?
A formação do Psicólogo foi marcada pelo período de despolitização, e portanto, a temática social não foi inserida nos currículos. Nos anos 1980 surgiram as reflexões acerca do compromisso social do profissional, iniciando a abertura para a temática. Hoje não só trata-se do tema com clareza e abertura, como insere o profissional em novas áreas de atuação.
A Aprovação do Conselho Nacional de Assistência Social por meio da Política Nacional de Assistência Social embasa o objetivo de consolidação da Política de Assistência Social como uma política de Estado.
O Psicólogo é parte da equipe mínima para o funcionamento dos esquipamentos da Assistência Social, além dos demais profissionais: Educador Social, Assistente Social e outro profissional, que pode ser o Pedagogo, Sociólogo (...). Ou seja, o Psicólogo atua de forma interdisciplinar num formato que busca a compreensão das estruturas que sustentam as vivências familiares e comunitárias, num trabalho que visa o fortalecimento de vínculos e superação de situações de vulnerabilidades sociais.
Considerando a divisão entre Proteção Social Básica e Proteção Social Especial, o psicólogo possui a abertura para a atuação em diversos equipamentos públicos que oferecem diferentes serviços .
No CRAS - Centro de Referência da Assistência Social - o psicólogo atua como parte de uma equipe visando o trabalho com famílias. Dentre os serviços oferecidos no CRAS está o PAIF - Proteção e Atendimento Integral a Família - que visa o acompanhamento e atendimento familiar, numa perspectiva de compreensão do contexto social e comunitário, oportunizando através da reflexão entre profissionais de diversas categorias: sistemas, fluxos e aberturas que oportunizem a garantia de direitos dos usuários do serviço. O CRAS é territorializado, ou seja, está em diversas localidades com o objetivo da proximidade da comunidade local num trabalho com a realidade das famílias.
No CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social - o psicólogo atua como parte da equipe visando também o trabalho com famílias, porém, num atendimento especializado (lê-se aqui especializado como o trabalho com direitos violados!!) O trabalho visa um atendimento especializado para cada violação de direitos, tendo em vista também a análise sobre o território, comunidade e famílias. No CREAS o serviço ofertado é o PAEFI - Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos.
Os serviços de acolhimento são parte da Proteção Social Especial e portanto também uma possibilidade de atuação do Psicólogo na Política. Essa atuação permanece com viés de considerações sociais por parte dos profissionais, em todas as categorias, e portanto inviabiliza o atendimento individualizado psicoterapêutico e sim engloba o trabalho interdisciplinar num viés de compreensão e de construção considerando as especificidades e demandas do coletivo.
Enfim, a atuação de todos os profissionais na Assistência Social é sustentada de forma complexa e em busca da coerência com a realidade das famílias e comunidades.
Dentre os estágios realizados em dois municípios diferentes, um dos aprendizados que ficou é o da necessidade da abertura a reflexão do profissional da Psicologia - neste caso - sobre a atuação no âmbito social e com coletividade profissional, respeitando a autonômia profissional de cada categoria, porém, dando margem para movimentos de luta, construção e re-construção da prática!
Há a necessidade da continuidade de lutas, movimentos e problematizações para que a Política de Assistência Social e os profissionais que nela atuam se desenvolvam de forma sistêmica e completa, englobando as necessidades e complexidades que essa Política oportuniza. Essas lutas são de todas e por TODAS as categorias profissionais que fazem parte da Política!
Para os alunos que tem mais dúvidas à respeito do tema, podem enviar via mensagem privada ou sugerir como próximo tema sobre a Psicologia no SUAS!
Os aprendizados que tive no meu estágio mudaram minha visão de atuação profissional e essa re-construção contínua sobre a atuação na clínica ou no contexto de Políticas Públicas é necessária para a reformulação e adaptação da Profissão diante das novas demandas sociais.
Todo aprendizado é uma nova possibilidade.
Que possamos sonhar ...
Em uma recente conversa realizada com alunos de Graduação em Psicologia, dúvidas e interesses surgiram à respeito do tema. Afinal, como é o trabalho do Psicólogo no SUAS (Política Pública - Sistema Único de Assistência Social)? E o que é o SUAS?
A formação do Psicólogo foi marcada pelo período de despolitização, e portanto, a temática social não foi inserida nos currículos. Nos anos 1980 surgiram as reflexões acerca do compromisso social do profissional, iniciando a abertura para a temática. Hoje não só trata-se do tema com clareza e abertura, como insere o profissional em novas áreas de atuação.
A Aprovação do Conselho Nacional de Assistência Social por meio da Política Nacional de Assistência Social embasa o objetivo de consolidação da Política de Assistência Social como uma política de Estado.
O Psicólogo é parte da equipe mínima para o funcionamento dos esquipamentos da Assistência Social, além dos demais profissionais: Educador Social, Assistente Social e outro profissional, que pode ser o Pedagogo, Sociólogo (...). Ou seja, o Psicólogo atua de forma interdisciplinar num formato que busca a compreensão das estruturas que sustentam as vivências familiares e comunitárias, num trabalho que visa o fortalecimento de vínculos e superação de situações de vulnerabilidades sociais.
Considerando a divisão entre Proteção Social Básica e Proteção Social Especial, o psicólogo possui a abertura para a atuação em diversos equipamentos públicos que oferecem diferentes serviços .
No CRAS - Centro de Referência da Assistência Social - o psicólogo atua como parte de uma equipe visando o trabalho com famílias. Dentre os serviços oferecidos no CRAS está o PAIF - Proteção e Atendimento Integral a Família - que visa o acompanhamento e atendimento familiar, numa perspectiva de compreensão do contexto social e comunitário, oportunizando através da reflexão entre profissionais de diversas categorias: sistemas, fluxos e aberturas que oportunizem a garantia de direitos dos usuários do serviço. O CRAS é territorializado, ou seja, está em diversas localidades com o objetivo da proximidade da comunidade local num trabalho com a realidade das famílias.
No CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social - o psicólogo atua como parte da equipe visando também o trabalho com famílias, porém, num atendimento especializado (lê-se aqui especializado como o trabalho com direitos violados!!) O trabalho visa um atendimento especializado para cada violação de direitos, tendo em vista também a análise sobre o território, comunidade e famílias. No CREAS o serviço ofertado é o PAEFI - Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos.
Os serviços de acolhimento são parte da Proteção Social Especial e portanto também uma possibilidade de atuação do Psicólogo na Política. Essa atuação permanece com viés de considerações sociais por parte dos profissionais, em todas as categorias, e portanto inviabiliza o atendimento individualizado psicoterapêutico e sim engloba o trabalho interdisciplinar num viés de compreensão e de construção considerando as especificidades e demandas do coletivo.
Enfim, a atuação de todos os profissionais na Assistência Social é sustentada de forma complexa e em busca da coerência com a realidade das famílias e comunidades.
Dentre os estágios realizados em dois municípios diferentes, um dos aprendizados que ficou é o da necessidade da abertura a reflexão do profissional da Psicologia - neste caso - sobre a atuação no âmbito social e com coletividade profissional, respeitando a autonômia profissional de cada categoria, porém, dando margem para movimentos de luta, construção e re-construção da prática!
Há a necessidade da continuidade de lutas, movimentos e problematizações para que a Política de Assistência Social e os profissionais que nela atuam se desenvolvam de forma sistêmica e completa, englobando as necessidades e complexidades que essa Política oportuniza. Essas lutas são de todas e por TODAS as categorias profissionais que fazem parte da Política!
Para os alunos que tem mais dúvidas à respeito do tema, podem enviar via mensagem privada ou sugerir como próximo tema sobre a Psicologia no SUAS!
Os aprendizados que tive no meu estágio mudaram minha visão de atuação profissional e essa re-construção contínua sobre a atuação na clínica ou no contexto de Políticas Públicas é necessária para a reformulação e adaptação da Profissão diante das novas demandas sociais.
Todo aprendizado é uma nova possibilidade.
Que possamos sonhar ...
"Com a vida, com respeito e igualdade, com dignidade e um mundo não dividido. Com um povo tão sabido que chega a ser medonho. Sonhar em fazer do sonho um grande acontecimento; onde os dedos se cruzando, segurem a delicadeza e, acalentem a pureza de quem sonha, mas lutando."
A. Bogo.
domingo, 22 de outubro de 2017
Reestruturação Cognitiva
Considerando o desenvolvimento humano e os processos de aprendizagem, é possível formular um mapeamento, que direcionando o funcionamento provável do sujeito, organiza dentro do processo terapêutico a reestruturação cognitiva com materializações de ganhos e superações numa qualidade de vida mental e emocional.
A Flexibilidade Psicológica é a uma das ferramentas desenvolvidas no processo terapêutico e que está na base dando aberturas para as graduais conquistas na construção da terapia.
No trabalho de análise dos comportamentos disfuncionais e desregulações emocionais há a infiltração para a compreensão do esquema de interpretação daquele sujeito, para que os sintomas e sinais – demandas – sejam reformulados em sua raiz, fazendo da terapia um processo concreto, real e extremamente personalizado.
A construção e a educação na terapia são os objetivos que sustentam a conquista pela autonomia e dá credibilidade à prática da Psicologia com ganhos concretos para o paciente.
Todos os sujeitos com dificuldades adaptativas, comportamentos disfuncionais, desregulações emocionais, funcionamento reproduzido de modo automático sem reavaliações numa ligação com o contexto social desafiador, são públicos para a Psicoterapia.
Faça Terapia e construa as definições dos caminhos na sua vida.
#PsiJuliadeMoraesNogueira
CRP 08/25347
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
Terapia Cognitivo-Comportamental - O Ciclo da Cegueira de Nós.
"É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos." (José Saramago)
Os grandes conflitos que surgem no cotidiano, sustentam a estrutura de contradição entre as regulamentações, regras e emoções. Nessas duas semanas de rotina dentro da Clínica, entre atendimentos e organizações documentais, o conflito entre as sensações, crenças e pensamentos surgiram como demanda principal. Mas o que isso quer dizer?
A estrutura social num esquema de expectativas tem sobrecarregado os pensamentos e emoções das pessoas. O conflito liga-se, justamente, na diferença entre práticas, desejos e vontades dos equipamentos de ações e exigências sociais.
Essas cobranças, atuais ou antigas, enlaçam as ideias externas à afirmativas internas. Você passa a acreditar numa sequência de regras e crenças sobre si, que podem serem distorcidas; e a angústia fruto dessa distorção é o que nos conecta no núcleo central que separa o que você é e deseja do que é exigido que você seja e faça.
Aquele que possui olhos e questiona dilemas e inadaptações sociais passa a experienciar, de modo acentuado, emoções como: raiva, medo, tristeza, angústia, solidão e culpa. Todas as emoções possuem um papel funcional dentro do esquema do sujeito, porém, quando parte de um sistema de crenças negativo acerca de si e do que sente, respaldam ações incoerentes e sofrimentos exacerbados que somados ao questionamento sobre conflitos do contexto, enrijece o sujeito na busca por segurança e supressão dessas emoções negativas que tornam-se, ao mesmo tempo, a base estrutural do enrijecimento de cada um.
A insegurança, a culpa, o medo, a baixa autoestima, a angústia, o vazio, a solidão, a desesperança e o ressentimento - dentre tantas outras - automatiza e mantém o esquema de funcionamento de descontentamento e silencia o que há de subjetivo, impossibilitando a ampliação e criação de ferramentas para superação ou aceitação das contradições que geram a invalidação de si.
Por isso, reconhecer-se é a principal ferramenta do processo terapêutico. Assumir fases de instabilidade, oportunizam, o verdadeiro sentir que dá sentido à vida.
Trabalhar com o real é decifrar a transição entre ver e reparar para construir uma nova realidade.
#PsiJuliadeMoraesNogueira
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Terapia e Sensibilidade
Nesta semana, entre atendimentos e projetos, a sensibilidade surgiu como prioridade durante a mediação e execução dos trabalhos.
As práticas e atividades cotidianas trazem reflexões e pensamentos que, muitas vezes, passam despercebidos em nossas ações automáticas.
Reconhecer, avaliar e transformar seus processos de percepção e de análise de informação, estrutura sua sensibilidade ao sentir sensações. A terapia é um processo transformador em sua simplicidade no direcionamento, falando com o cotidiano das pessoas e personalizando a individualidade de cada um, de forma coletiva contextualizada.
As práticas e atividades cotidianas trazem reflexões e pensamentos que, muitas vezes, passam despercebidos em nossas ações automáticas.
Reconhecer, avaliar e transformar seus processos de percepção e de análise de informação, estrutura sua sensibilidade ao sentir sensações. A terapia é um processo transformador em sua simplicidade no direcionamento, falando com o cotidiano das pessoas e personalizando a individualidade de cada um, de forma coletiva contextualizada.
Sinta e acredite no seu potencial de aprendizado e mudança.
O tato e a percepção sobre suas emoções e sobre seu corpo são seu mapa para a qualidade de vida.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Mulher, Sexualidade e Psicologia: A Terapia Cognitiva Sexual.
A sexualidade envolve tabus e paradigmas construídos e desenvolvidos de acordo com as características e mudanças da sociedade.
A educação sexual feminina passou por diversas fases, incorporando em si a representatividade de instituições dominantes de cada época. Na instauração de um sistema patriarcal e de supremacia da igreja, a visão sobre a sexualidade da mulher passou a ter modificações.
Sobre isso, seguem algumas exemplificações do papel da mulher, sexualidade, casamento e amor em períodos passados:
A mulher no século XVI habitava num papel de submissão ao marido numa estruturação de deveres (três) que embasavam o casamento e a relação com o esposo. Ainda que numa descrição sobre princesas e senhoras, esses ensinamentos serviam para todas as mulheres da época. A submissão ao marido envolvia lealdade, obediência, humildade e solicitude em tudo que fosse do interesse dele. Além disso, a mulher na ausência do marido devia vestir-se com cuidado ao corpo e, principalmente, adequando seus sentimentos e emoções. No retorno do esposo ausente, a mulher ainda que sem afetividade, deveria demonstrar publicamente o seu amor, mesmo que este não fosse merecedor de tal relação.
As servidoras das senhoras da época não poderiam compactuar com "desonras" praticadas, porém, poderiam salvá-las de tal, assumindo a vergonha e o castigo que caberiam. Neste desenrolar, o "amor cortês" surge numa perspectiva de castidade e monogamia - apesar das considerações sobre o amor ser algo da alma e contudo numa relação extraconjugal - num enlace material. Aparece então a divisão entre o amor - atração física e sentimental - e casamento - castidade e submissão.
Já no envolvimento da igreja e do patriarcado, a sexualidade feminina é sustentada como a ausência de prazer numa lógica de procriação. A incorporação da mulher no mercado de trabalho - Revolução Industrial - a insere num contexto que possibilita novas buscas sobre a sua sexualidade; porém, a independência debatida na época surge com extremos questionamentos devido a incoerência de oportunidades parte das vivências culturalmente possíveis para a mulher.
Essa incoerência é vivenciada atualmente com questionamentos semelhantes e num disfarce severo. Ainda com as considerações acerca dos avanços e pontos positivos conquistados atualmente, as mulheres vivenciam limitações em todo o contexto social. A sexualidade feminina, pauta das lutas dos movimentos sociais, surge no cotidiano com as mesmas características veladas à respeito da monogamia, casamento, prazer e reprodução. Essas incoerências carregam expectativas, cobranças e regras gerais que padronizam o que tentam definir o SER MULHER.
Na Clínica de psicologia o tema surge com todo o arcabouço supracitado e com crenças específicas acerca da sexualidade feminina: crenças embasadas pela religião, cultura familiar conservadora e padronizações da sociedade de modo geral. Todo esse desenvolvimento acerca da sexualidade sustenta comportamentos e sentimentos disfuncionais (baixa autoestima, insatisfação com o corpo, desmotivação, invalidação emocional), disfunções sexuais específicas e anulam o pensamento sobre o direito ao prazer na relação, além de submeter o feminino numa representação de sujeição.
Para a efetividade da Terapia Cognitivo-Comportamental e Sexual com mulheres, é necessário que ocorra a contextualização das vivencias da cliente, de modo que construa novos valores e crenças acerca da sexualidade feminina e a prepare para o processo de reconhecimento de si!
Esse reconhecimento depende, essencialmente, do engajamento na terapia e da compreensão e valorização das suas alterações emocionais num viés de individualidade. A educação sexual restritiva, relações conflituosas na família e o embasamento da prática sexual em preceitos religiosos e morais, limitam as vivências e delimita a visão sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Dentro de uma sociedade que modela o comportamento sexual, a busca pela libertação e pelo autoconhecimento, estruturam novas vivências e práticas sexuais, que estão diretamente ligadas ao modo como a mulher sente, vê e trata-se.
O reconhecimento, a validação e a atenção numa perspectiva de individualidade, colabora na qualidade emocional, mental e também sexual.
A abordagem sociológica da sexualidade feminina trás em si a importância da compreensão de mecanismos de reprodução e execução automática daquilo que é extremamente relevante e que faz parte da vida de todos.
A terapia em seu processo de autoconhecimento transforma, modela e reconstrói os comportamentos sexuais disfuncionais específicos e o papel da mulher para si e para o mundo.
Reconheça suas emoções, valide as e torne-se a sua Mulher!
A educação sexual feminina passou por diversas fases, incorporando em si a representatividade de instituições dominantes de cada época. Na instauração de um sistema patriarcal e de supremacia da igreja, a visão sobre a sexualidade da mulher passou a ter modificações.
Sobre isso, seguem algumas exemplificações do papel da mulher, sexualidade, casamento e amor em períodos passados:
A mulher no século XVI habitava num papel de submissão ao marido numa estruturação de deveres (três) que embasavam o casamento e a relação com o esposo. Ainda que numa descrição sobre princesas e senhoras, esses ensinamentos serviam para todas as mulheres da época. A submissão ao marido envolvia lealdade, obediência, humildade e solicitude em tudo que fosse do interesse dele. Além disso, a mulher na ausência do marido devia vestir-se com cuidado ao corpo e, principalmente, adequando seus sentimentos e emoções. No retorno do esposo ausente, a mulher ainda que sem afetividade, deveria demonstrar publicamente o seu amor, mesmo que este não fosse merecedor de tal relação.
As servidoras das senhoras da época não poderiam compactuar com "desonras" praticadas, porém, poderiam salvá-las de tal, assumindo a vergonha e o castigo que caberiam. Neste desenrolar, o "amor cortês" surge numa perspectiva de castidade e monogamia - apesar das considerações sobre o amor ser algo da alma e contudo numa relação extraconjugal - num enlace material. Aparece então a divisão entre o amor - atração física e sentimental - e casamento - castidade e submissão.
Já no envolvimento da igreja e do patriarcado, a sexualidade feminina é sustentada como a ausência de prazer numa lógica de procriação. A incorporação da mulher no mercado de trabalho - Revolução Industrial - a insere num contexto que possibilita novas buscas sobre a sua sexualidade; porém, a independência debatida na época surge com extremos questionamentos devido a incoerência de oportunidades parte das vivências culturalmente possíveis para a mulher.
Essa incoerência é vivenciada atualmente com questionamentos semelhantes e num disfarce severo. Ainda com as considerações acerca dos avanços e pontos positivos conquistados atualmente, as mulheres vivenciam limitações em todo o contexto social. A sexualidade feminina, pauta das lutas dos movimentos sociais, surge no cotidiano com as mesmas características veladas à respeito da monogamia, casamento, prazer e reprodução. Essas incoerências carregam expectativas, cobranças e regras gerais que padronizam o que tentam definir o SER MULHER.
Na Clínica de psicologia o tema surge com todo o arcabouço supracitado e com crenças específicas acerca da sexualidade feminina: crenças embasadas pela religião, cultura familiar conservadora e padronizações da sociedade de modo geral. Todo esse desenvolvimento acerca da sexualidade sustenta comportamentos e sentimentos disfuncionais (baixa autoestima, insatisfação com o corpo, desmotivação, invalidação emocional), disfunções sexuais específicas e anulam o pensamento sobre o direito ao prazer na relação, além de submeter o feminino numa representação de sujeição.
Para a efetividade da Terapia Cognitivo-Comportamental e Sexual com mulheres, é necessário que ocorra a contextualização das vivencias da cliente, de modo que construa novos valores e crenças acerca da sexualidade feminina e a prepare para o processo de reconhecimento de si!
Esse reconhecimento depende, essencialmente, do engajamento na terapia e da compreensão e valorização das suas alterações emocionais num viés de individualidade. A educação sexual restritiva, relações conflituosas na família e o embasamento da prática sexual em preceitos religiosos e morais, limitam as vivências e delimita a visão sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Dentro de uma sociedade que modela o comportamento sexual, a busca pela libertação e pelo autoconhecimento, estruturam novas vivências e práticas sexuais, que estão diretamente ligadas ao modo como a mulher sente, vê e trata-se.
O reconhecimento, a validação e a atenção numa perspectiva de individualidade, colabora na qualidade emocional, mental e também sexual.
A abordagem sociológica da sexualidade feminina trás em si a importância da compreensão de mecanismos de reprodução e execução automática daquilo que é extremamente relevante e que faz parte da vida de todos.
A terapia em seu processo de autoconhecimento transforma, modela e reconstrói os comportamentos sexuais disfuncionais específicos e o papel da mulher para si e para o mundo.
Reconheça suas emoções, valide as e torne-se a sua Mulher!
Assinar:
Comentários (Atom)

