CRP 08/25347

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Psicologia e o Sistema Único de Assistência Social - SUAS.

Durante o desenvolvimento dos meus estágios na área da Psicologia Social, especificamente no Sistema Único de Assistência Social, aprendizados únicos foram proporcionados. Aprendizados enquanto atuação específica do Psicólogo num viés de interpretação e compreensão social, comunitária e familiar; além dos aprendizados sobre os movimentos sociais e lutas necessárias para a garantia dos direitos de todos os usuários e trabalhadores e da Política!

Em uma recente conversa realizada com alunos de Graduação em Psicologia, dúvidas e interesses surgiram à respeito do tema. Afinal, como é o trabalho do Psicólogo no SUAS (Política Pública - Sistema Único de Assistência Social)? E o que é o SUAS?

A formação do Psicólogo foi marcada pelo período de despolitização, e portanto, a temática social não foi inserida nos currículos. Nos anos 1980 surgiram as reflexões acerca do compromisso social do profissional, iniciando a abertura para a temática. Hoje não só trata-se do tema com clareza e abertura, como insere o profissional em novas áreas de atuação.

A Aprovação do Conselho Nacional de Assistência Social por meio da Política Nacional de Assistência Social embasa o objetivo de consolidação da Política de Assistência Social como uma política de Estado.

O Psicólogo é parte da equipe mínima para o funcionamento dos esquipamentos da Assistência Social, além dos demais profissionais: Educador Social, Assistente Social e outro profissional, que pode ser o Pedagogo, Sociólogo (...). Ou seja, o Psicólogo atua de forma interdisciplinar num formato que busca a compreensão das estruturas que sustentam as vivências familiares e comunitárias, num trabalho que visa o fortalecimento de vínculos e superação de situações de vulnerabilidades sociais.

Considerando a divisão entre Proteção Social Básica e Proteção Social Especial, o psicólogo possui a abertura para a atuação em diversos equipamentos públicos que oferecem diferentes serviços .

No CRAS - Centro de Referência da Assistência Social - o psicólogo atua como parte de uma equipe visando o trabalho com famílias. Dentre os serviços oferecidos no CRAS está o PAIF - Proteção e Atendimento Integral a Família - que visa o acompanhamento e atendimento familiar, numa perspectiva de compreensão do contexto social e comunitário, oportunizando através da reflexão entre profissionais de diversas categorias: sistemas, fluxos e aberturas que oportunizem a garantia de direitos dos usuários do serviço. O CRAS é territorializado, ou seja, está em diversas localidades com o objetivo da proximidade da comunidade local num trabalho com a realidade das famílias.

No CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social - o psicólogo atua como parte da equipe visando também o trabalho com famílias, porém, num atendimento especializado (lê-se aqui especializado como o trabalho com direitos violados!!) O trabalho visa um atendimento especializado para cada violação de direitos, tendo em vista também a análise sobre o território, comunidade e famílias. No CREAS o serviço ofertado é o PAEFI - Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos.

Os serviços de acolhimento são parte da Proteção Social Especial e portanto também uma possibilidade de atuação do Psicólogo na Política. Essa atuação permanece com viés de considerações sociais por parte dos profissionais, em todas as categorias, e portanto inviabiliza o atendimento individualizado psicoterapêutico e sim engloba o trabalho interdisciplinar num viés de compreensão e de construção considerando as especificidades e demandas do coletivo.

Enfim, a atuação de todos os profissionais na Assistência Social é sustentada de forma complexa e em busca da coerência com a realidade das famílias e comunidades.
Dentre os estágios realizados em dois municípios diferentes, um dos aprendizados que ficou é o da necessidade da abertura a reflexão do profissional da Psicologia - neste caso - sobre a atuação no âmbito social e com coletividade profissional, respeitando a autonômia profissional de cada categoria, porém, dando margem para movimentos de luta, construção e re-construção da prática!

Há a necessidade da continuidade de lutas, movimentos e problematizações para que a Política de Assistência Social e os profissionais que nela atuam se desenvolvam de forma sistêmica e completa, englobando as necessidades e complexidades que essa Política oportuniza. Essas lutas são de todas e por TODAS as categorias profissionais que fazem parte da Política!

Para os alunos que tem mais dúvidas à respeito do tema, podem enviar via mensagem privada ou sugerir como próximo tema sobre a Psicologia no SUAS!

Os aprendizados que tive no meu estágio mudaram minha visão de atuação profissional e essa re-construção contínua sobre a atuação na clínica ou no contexto de Políticas Públicas é necessária para a reformulação e adaptação da Profissão diante das novas demandas sociais.

Todo aprendizado é uma nova possibilidade.

Que possamos sonhar ...

"Com a vida, com respeito e igualdade, com dignidade e um mundo não dividido. Com um povo tão sabido que chega a ser medonho. Sonhar em fazer do sonho um grande acontecimento; onde os dedos se cruzando, segurem a delicadeza e, acalentem a pureza de quem sonha, mas lutando."

A. Bogo.








domingo, 22 de outubro de 2017

Reestruturação Cognitiva


Considerando o desenvolvimento humano e os processos de aprendizagem, é possível formular um mapeamento, que direcionando o funcionamento provável do sujeito, organiza dentro do processo terapêutico a reestruturação cognitiva com materializações de ganhos e superações numa qualidade de vida mental e emocional.
A Flexibilidade Psicológica é a uma das ferramentas desenvolvidas no processo terapêutico e que está na base dando aberturas para as graduais conquistas na construção da terapia.
No trabalho de análise dos comportamentos disfuncionais e desregulações emocionais há a infiltração para a compreensão do esquema de interpretação daquele sujeito, para que os sintomas e sinais – demandas – sejam reformulados em sua raiz, fazendo da terapia um processo concreto, real e extremamente personalizado.

A construção e a educação na terapia são os objetivos que sustentam a conquista pela autonomia e dá credibilidade à prática da Psicologia com ganhos concretos para o paciente.
Todos os sujeitos com dificuldades adaptativas, comportamentos disfuncionais, desregulações emocionais, funcionamento reproduzido de modo automático sem reavaliações numa ligação com o contexto social desafiador, são públicos para a Psicoterapia.
Faça Terapia e construa as definições dos caminhos na sua vida. 
#PsiJuliadeMoraesNogueira
CRP 08/25347

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Terapia Cognitivo-Comportamental - O Ciclo da Cegueira de Nós.

"É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos." (José Saramago)

Os grandes conflitos que surgem no cotidiano, sustentam a estrutura de contradição entre as regulamentações, regras e emoções. Nessas duas semanas de rotina dentro da Clínica, entre atendimentos e organizações documentais, o conflito entre as sensações, crenças e pensamentos surgiram como demanda principal. Mas o que isso quer dizer?

A estrutura social num esquema de expectativas tem sobrecarregado os pensamentos e emoções das pessoas. O conflito liga-se, justamente, na diferença entre práticas, desejos e vontades dos equipamentos de ações e exigências sociais.

Essas cobranças, atuais ou antigas, enlaçam as ideias externas à afirmativas internas. Você passa a acreditar numa sequência de regras e crenças sobre si, que podem serem distorcidas; e a angústia fruto dessa distorção é o que nos conecta no núcleo central que separa o que você é e deseja do que é exigido que você seja e faça.

Aquele que possui olhos e questiona dilemas e inadaptações sociais passa a experienciar, de modo acentuado, emoções como: raiva, medo, tristeza, angústia, solidão e culpa. Todas as emoções possuem um papel funcional dentro do esquema do sujeito, porém, quando parte de um sistema de crenças negativo acerca de si e do que sente, respaldam ações incoerentes e sofrimentos exacerbados que somados ao questionamento sobre conflitos do contexto, enrijece o sujeito na busca por segurança e supressão dessas emoções negativas que tornam-se, ao mesmo tempo, a base estrutural do enrijecimento de cada um.

A insegurança, a culpa, o medo, a baixa autoestima, a angústia, o vazio, a solidão, a desesperança e o ressentimento - dentre tantas outras - automatiza e mantém o esquema de funcionamento de descontentamento e silencia o que há de subjetivo, impossibilitando a ampliação e criação de ferramentas para superação ou aceitação das contradições que geram a invalidação de si.

Por isso, reconhecer-se é a principal ferramenta do processo terapêutico. Assumir fases de instabilidade, oportunizam, o verdadeiro sentir que dá sentido à vida. 

Trabalhar com o real é decifrar a transição entre ver e reparar para construir uma nova realidade.

#PsiJuliadeMoraesNogueira

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Terapia e Sensibilidade

Nesta semana, entre atendimentos e projetos, a sensibilidade surgiu como prioridade durante a mediação e execução dos trabalhos.

As práticas e atividades cotidianas trazem reflexões e pensamentos que, muitas vezes, passam despercebidos em nossas ações automáticas.

Reconhecer, avaliar e transformar seus processos de percepção e de análise de informação, estrutura sua sensibilidade ao sentir sensações. A terapia é um processo transformador em sua simplicidade no direcionamento, falando com o cotidiano das pessoas e personalizando a individualidade de cada um, de forma coletiva contextualizada.

Sinta e acredite no seu potencial de aprendizado e mudança.

O tato e a percepção sobre suas emoções e sobre seu corpo são seu mapa para a qualidade de vida.