CRP 08/25347

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Terapia Cognitivo-Comportamental - O Ciclo da Cegueira de Nós.

"É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos." (José Saramago)

Os grandes conflitos que surgem no cotidiano, sustentam a estrutura de contradição entre as regulamentações, regras e emoções. Nessas duas semanas de rotina dentro da Clínica, entre atendimentos e organizações documentais, o conflito entre as sensações, crenças e pensamentos surgiram como demanda principal. Mas o que isso quer dizer?

A estrutura social num esquema de expectativas tem sobrecarregado os pensamentos e emoções das pessoas. O conflito liga-se, justamente, na diferença entre práticas, desejos e vontades dos equipamentos de ações e exigências sociais.

Essas cobranças, atuais ou antigas, enlaçam as ideias externas à afirmativas internas. Você passa a acreditar numa sequência de regras e crenças sobre si, que podem serem distorcidas; e a angústia fruto dessa distorção é o que nos conecta no núcleo central que separa o que você é e deseja do que é exigido que você seja e faça.

Aquele que possui olhos e questiona dilemas e inadaptações sociais passa a experienciar, de modo acentuado, emoções como: raiva, medo, tristeza, angústia, solidão e culpa. Todas as emoções possuem um papel funcional dentro do esquema do sujeito, porém, quando parte de um sistema de crenças negativo acerca de si e do que sente, respaldam ações incoerentes e sofrimentos exacerbados que somados ao questionamento sobre conflitos do contexto, enrijece o sujeito na busca por segurança e supressão dessas emoções negativas que tornam-se, ao mesmo tempo, a base estrutural do enrijecimento de cada um.

A insegurança, a culpa, o medo, a baixa autoestima, a angústia, o vazio, a solidão, a desesperança e o ressentimento - dentre tantas outras - automatiza e mantém o esquema de funcionamento de descontentamento e silencia o que há de subjetivo, impossibilitando a ampliação e criação de ferramentas para superação ou aceitação das contradições que geram a invalidação de si.

Por isso, reconhecer-se é a principal ferramenta do processo terapêutico. Assumir fases de instabilidade, oportunizam, o verdadeiro sentir que dá sentido à vida. 

Trabalhar com o real é decifrar a transição entre ver e reparar para construir uma nova realidade.

#PsiJuliadeMoraesNogueira

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